• Daniel Moura

SAUDADE NÃO TEM IDADE



Dizem que a palavra “saudade” é brasileira.

Só nós a verbalizamos,

damos um nome a esse sentimento,

essa emoção tão especial,

que traz vida, alegria... e dói.

A saudade dói, às vezes.

Mas é melhor doer do que não senti-la.

Esse é o privilégio daqueles que amam.

Só quem ama sente saudade,

sente vontade de viver de novo aquele momento, trazer para mais perto a pessoa amada.

A saudade é uma forma de guardar tesouros,

pérolas escondidas no fundo de um baú

louco por ser aberto.

Por isso, é preciso cultivar a saudade

como forma de revivenciar o momento,

atualizá-lo, dar vida a ele, renová-lo.

A saudade não é um olhar para o passado,

uma mera nostalgia de um tempo que se foi,

mas sua re-vivência no presente,

a atualização do sentir,

sentir de novo, ser de novo.

Trazer para o agora o mesmo encantamento,

de maneira que a sua energia,

sua força e sua emoção sejam ressuscitadas

para dar vida nova ao presente.

A saudade não é uma lembrança

de alguém que está distante.

Muito antes, é o encontro escondido

e silencioso com esse alguém.

É vencer a distância que nos separa,

é romper os limites do tempo e do espaço

e trazer para perto, para dentro do peito,

a verdadeira presença,

aquela que está eternamente viva

em cada um de nós.

Só quem ama sente saudade,

esse sopro de vida,

esse sopro divino que faz renascer em nós

a esperança do encontro.

A saudade não tem idade porque,

com o passar dos anos,

aprendemos a cultivar momentos,

a dar valor aos verdadeiros tesouros,

a sentir a vida pulsar nas pequenas

e infinitas emoções que guardamos para sempre.

Segredos escondidos,

segredos revelados no brilho do olhar...

Daniel Moura


(21º Encontro da Feliz Idade)

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