• Daniel Moura

ESPERANÇA

“A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a muda-las”. (Santo Agostinho)


Esperar o que vai acontecer, vislumbrar um evento futuro, acreditar que poderá mudar... Isto não é esperança. Esperança, como dizia o grande educador Paulo Freire, não é do verbo esperar, mas do verbo “esperançar”.


Somos filhos da terra, acostumados a arar o seu chão e lançar a semente com o suor do nosso rosto e a força de nossos braços. Com mãos calejadas, cavamos no quente e úmido útero da terra para plantar nossos sonhos, desejos profundos que uma boa colheita nos permitirá conquistar.


Adubamos, regamos e esperançamos, confiantes de que o esforço será recompensado, que a chuva cairá e dias melhores virão. Fazemos a nossa parte, a natureza faz a dela.


Esta é a esperança de que falam Santo Agostinho e Paulo Freire: uma esperança que não se detém frente as intempéries, não se acomoda à espera, mas vai atrás, levanta, convive, compartilha forças, supera fraquezas, cai, levanta de novo, não desiste...


Se os anos que nos restam já não são mais generosos, se o tempo que temos para plantar e colher já não nos permite desperdiçar oportunidades, nossa esperança tem que ser redobrada.

Tudo é urgente e nada é definitivo...


Urgente, porque conhecemos os tempos certos de plantio e colheita, de poda e adubação. Mas não definitivo, porque sabemos que tudo passa, tudo evolui, tudo muda... e nós também.


Somos um projeto inacabado e em constante mudança.


Vivemos em um momento da história em que nossa identidade se parece mais com o que fazemos pra mudar o que somos do que com o que aparentamos ser para o outro. E a esperança é a força que nos faz romper a solidão e nos mantém acordados, ativos e cativos no amor e na fé.


É ela que nos alimenta a vontade de construir a paz, de deixar um legado, de plantar nos corações de filhos e netos a coragem para se manterem no caminho do bem

e a indignação para não aceitarem o mal.


Sejamos testemunhas da esperança, profetas da esperança, arautos da esperança!

Daniel Moura


(42º Encontro da Feliz Idade)


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