• Daniel Moura

PAZ


Engana-se quem espera que a paz seja um lindo lago azul.

Ela é muito mais um rio de águas corajosas que se embrenham

nas matas, pedras e planícies, descem montanhas

em lindas e perigosas cachoeiras, contornam obstáculos

em corredeiras traiçoeiras, arrastam troncos

e aos trancos e barrancos vão se aproximando

de seu destino encantado: o mar.

Ter paz é contornar as dificuldades,

superar os conflitos e abrir mão de certezas absolutas.

É envergar-se com a humildade aprendida na tolerância,

na convivência com o diferente, na resiliência

dos que se adaptam ao terreno, aos tempos, ao novo

e se renovam a cada curva,

renascem das pedras, das perdas, das cinzas...

E persistem na busca de plenitude no grande Mar.

A paz não é a ausência de lutas, mas a presença

do esforço por uma convivência harmoniosa.

Ela nasce em um coração generoso, que enfrenta as intempéries

sem perder a esperança de chegar,

encantado pela pujança de sua essência infinita

sedenta do Infinito.

Ela mora dentro de nós e penetra os recônditos de nosso ser,

como uma semente que teima em nascer

e se expandir para o mundo.

Por isto, somos todos construtores de paz,

pelo exemplo, pela solidariedade, pela caridade fraterna.

Não uma aparente calmaria, mas uma força

que contagia, seduz e liberta.

Eu convido você a navegar nessas águas,

a experimentar a vivência de uma paz fecunda,

proporcionada pela diversidade de culturas, costumes,

diferenças que nos reúnem, nos unem e nos enriquecem.


“Senhor, fazei-nos instrumentos de vossa paz.”

Daniel Moura


(41º Encontro da Feliz Idade)

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